Crash, o onde o bate-bate encontra a casa de burlesco.

“Crash – Estranhos Prazeres” (Max Prime, 22h15) talvez seja o filme certo para nossos dias (especialmente o dos paulistanos). Sua história gira em torno de um grupo de pessoas para quem os carros não são feitos para andar, e sim para trombar. É um prazer semelhante àquele que temos na infância, brincando nos carros bate-bate dos parques. De certa forma, todo mundo sabe que os carros não foram feitos para andar. Eles foram feitos para impressionar garotas, para deixar os vizinhos com inveja e os sócios desconfiados. Os automóveis são a quintessência do progresso -o problema é que já não se faz progresso como antigamente- e o signo da liberdade. Mas a liberdade nunca será tal se vigiada, se não trouxer embutida a hipótese de autodestruição. É a isso que se dedica esse grupo de malucos do filme de David Cronenberg: a produzir ferro retorcido e corpos retalhados. Isso não é, claro, a única função dos carros. Mas andar, simplesmente, pelas ruas também não.

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