Crash, o onde o bate-bate encontra a casa de burlesco.

7 04 2008

“Crash – Estranhos Prazeres” (Max Prime, 22h15) talvez seja o filme certo para nossos dias (especialmente o dos paulistanos). Sua história gira em torno de um grupo de pessoas para quem os carros não são feitos para andar, e sim para trombar. É um prazer semelhante àquele que temos na infância, brincando nos carros bate-bate dos parques. De certa forma, todo mundo sabe que os carros não foram feitos para andar. Eles foram feitos para impressionar garotas, para deixar os vizinhos com inveja e os sócios desconfiados. Os automóveis são a quintessência do progresso -o problema é que já não se faz progresso como antigamente- e o signo da liberdade. Mas a liberdade nunca será tal se vigiada, se não trouxer embutida a hipótese de autodestruição. É a isso que se dedica esse grupo de malucos do filme de David Cronenberg: a produzir ferro retorcido e corpos retalhados. Isso não é, claro, a única função dos carros. Mas andar, simplesmente, pelas ruas também não.





2001 no Mais

9 07 2007

Urgh…

Filmoteca Básica: 2001

O aspecto épico de “2001 – Uma Odisséia no Espaço” [de Stanley Kubrick, DVD Warner], seu design futurista -mas que representa a época em que foi feito, os anos 1960-70-, os homens-macaco descobrindo o conhecimento, aquele absurdo monolito, a crise psicológica do [computador] Hal e o final psicodélico insólito poderiam ser momentos suficientes para indicar esse filme; mas o balé de luz, som, silêncio e tempo são muito cinema. “Abra a porta, Hal!”

Vi o filme no cinema quando criança; meu trabalho é todo ligado à gravidade -a idéia de flutuação do osso que vira nave tem ligação com a idéia de retirar o peso que está nas esculturas. Além disso, o início do filme é uma daquelas coisas que não se fazem mais no cinema.

ERNESTO NETO é artista plástico. Sua exposição “É a Vida” está em cartaz no Rio.